Bom, eu vestia:
Um jeans rasgado, uma camisa xadrez e o meu all star preto (lindo).
Peguei meu celular e coloquei meus fones no ouvido e fui. Algumas pessoas me olhavam como se eu fosse uma aberração...Que é, não posso mais ter estilo próprio?
Andei pela rua e as pessoas só me olhavam. Não tinha nada pra fazer, então voltei pra frente da minha casa e me sentei encostada no muro. Algumas pessoas ainda me olhavam, outras já tinham voltado a fazer suas coisas.
Percebi que tinhas três garotas conversando em um canto e elas olhavam pra mim. Me senti um pouco acuada mas não demonstrei. Fiquei lá ouvindo 30 seconds to mars, e quando menos esperei uma das garotas vinha na minha direção. Era uma morena linda. Ela veio e se sentou ao meu lado, então tirei um dos fones...Carol: ola?
Sabrina: oi, Tudo bem?
Carol: han...tudo, e você?
Sabrina: tudo legal. Foi você quem se mudou pra essa casa aí né.
Carol: é, eu, meu irmão, meu pai, minha amiga, a mãe dela...
Sabrina: a sua amiga e a mãe dela vieram morar com você?
Carol: bom, na verdade meu pai casou com a mãe da minha melhor amiga. Aí deu nisso.
Sabrina: que legal. Vieram de onde?
Carol: Minas Gerais.
Sabrina: meio longe não?
Carol: um pouco
Sabrina: como você se chama?
Carol: Carol, e você?
Sabrina: me chamo Sabrina.Ficamos conversando um tempo. Ela era legal. As amigas dela observavam a nossa conversa de longe, pareciam buscar nos nossos lábios o que agente conversava. Uns minutos depois meu celular tocou.
Carol: er, só um minuto.
Sabrina: claro.
*Ligação*
Carol: oi.
Natalia: oi Carol.
Carol: Naty? Ta tudo bem?
Natalia: Eu não sei...Aonde você ta?
Carol: eu to aqui na rua.
Natalia: será que você pode vir aqui pra casa
Carol: claro...Só um minuto que eu já vou, esta bem?
Natalia: por favor, vem rápido.
*Ligação*
Carol: desculpa, mas eu acho que vou ter que ir.
Sabrina: a claro, tudo bem. Agente se encontra por aqui.
Carol: claro que sim linda.
Dei um beijo na bochecha e pisquei pra ela...Ela parece ter gostado. Será que já vou encontrar alguém pra pegar? Tomara, estou na seca já há algum tempo.
Entrei em casa e não encontrei ninguém na sala. Subi as escadas e bati no quarto da Naty.
Natalia: quem é?
Carol: sou eu Naty.
Natalia: pode entrar Carol, e fecha a portaEu entrei e fechei a porta como ela pediu. Ela estava sentada na cama dela abraçada a um ursinho de pelúcia que o ex-namorado dela tinha dado de presente no primeiro mês de namoro dos dois. Ela olhava fixamente pra janela (todos os quartos tinham uma janela bem grande virada pra parte mais linda da cidade).
Carol: ei minha linda, o que aconteceu? – Disse me sentando ao lado dela na cama
Natalia: eu não tenho certeza ainda Carol, mas eu to perdida.
Carol: como assim?
Natalia: eu acho que eu estou grávida.
Carol: grávida? Mas como?
Natalia: eu preciso explicar?
Carol: não, desculpa. Foi uma forma de expressão. Mas você já fez um teste?
Natalia: não...Mas minha menstruação esta um mês atrasada.
Carol: ai meu Deus. Agente precisa de um teste de gravidez e rápido.
Natalia: mas como?
Carol: eu vou comprar, espera um pouco.
Fui no meu quarto e peguei um dinheiro que tinha guardado e sai na rua...E agora, aonde é a farmácia? Droga! Eu comecei a andar sem rumo, ate que um garoto veio falar comigo.
Marcos: não deveria andar assim perdida.
Carol: eu sou nova por aqui.
Marcos: eu sei...Prazer sou marcos, seu vizinho de frente – Disse ele com um sorriso amigável e estendendo a mão pra mim.
Carol: o prazer é meu. Me chamo Carol – Disse apertando sua mão mas não retribuindo o sorriso...Não costumo sorrir para estranhos.
Marcos: então Carol, o que procura?
Carol: uma farmácia.
Marcos: vai comprar camisinha? – Me disse em um tom de descontração e eu olhei pra ele com uma cara seria
Marcos: desculpa, só queria descontrair.
Carol: tudo bem...Pode me dizer onde fica a farmácia?
Marcos: claro, meu pai é o dono da farmácia. Vem, te levo lá.
Ele estava sendo realmente gentil comigo, então resolvi deixar a minha ignorância típica de roqueira de lado e ser gentil com ele também.
Carol: mas e aí, quantos anos você tem?
Marcos: tenho 17, e você?
Carol: 16.
Marcos: então, o que vai comprar na farmácia?
Carol: um teste de gravidez.
Marcos: o: ta vendo, se tivesse usado a caminha não precisaria disso agora.
Carol: não é pra mim, é pra minha amiga/irmã. Ela é filha da minha madrasta e é minha melhor amiga. E ta achando que ta grávida.
Marcos: porra, que barra ein.
Carol: pois é.
Fomos conversando ate chegarmos na farmácia do pai dele. Pedi um teste de gravidez e o pai dele me olhou com cara de desprezo. Acho que não só pelas roupas, mas pelo fato de ser adolescente e estar pedindo um teste de gravidez. Parecia ser um homem bem conservador.
Na hora de irmos embora Marcos me pediu desculpas pelo seu pai, e confirmou o que eu pensava sobre ele ser conservador.
Nos despedimos com dois beijos no rosto quando chegamos na porta da minha casa e entrei. Meu pai e Liliane estavam na sala, então subi correndo pra que eles não vissem o teste que estava na minha mão. Entrei no quarto da Naty sem bater, fechei a porta e tranquei.
Natalia: comprou?
Carol: comprei, ta aqui...Vai fazer agora?
Natalia:...Vou.
Carol: eu te espero aqui.
Ela foi, e voltou cinco minutos depois. Pela sua expressão não precisava de resposta. As lagrimas corriam involuntariamente pelo seu rosto. Eu corri ate ela e a abracei muito forte. As lagrimas dela molhavam minha camisa, mas eu não me importava.
Fui andando e levando ela junto comigo ate a cama. Me sentei e deitei ela no meu colo. Ela ainda chorava muito e eu fazia carinho no seu cabelo...Coitada da minha amiga.
Quando ela começou a se acalmar se sentou de frente pra mim, e eu estendi minha mão pra ela.
Natalia: como vai ser minha vida daqui pra frente agora?
Carol: Calma. Ta todo mundo aqui com você, agente vai te ajudar.
Natalia: caramba como eu vou contar isso pra minha mãe? Ainda mais que o pai dessa criança esta muito longe daqui...
O ex-namorado da Natalia, o George, morava perto da gente em Minas Gerais. Ele tem 18 anos, mas foi embora do Brasil. Sua mãe morava com ele e ela morreu, então ele teve que ir morar com o pai na França. Por isso os dois terminaram. Isso faz um mês, e os dois não se falaram mais desde então. E agora essa bomba de que ela esta grávida.
Carol: com ou sem o George você vai ficar bem. Você vai ter essa criança, e agente vai te dar muito apoio. Você não ta sozinha minha linda.
Ela me abraçou, agora sem chorar.
Natalia: Carol posso te pedir uma coisa?
Carol: claro.
Natalia: não conta pra minha mãe...Pelo menos não ainda.
Carol: ta bom, pode deixar.
Quando eu terminei de falar ouvi batidas na porta.
Carol: Quem é?
Lucas: Sou eu Carol.
Carol: o que você quer?
Lucas: o pai e a Liliane estão chamando agente lá embaixo.
Carol: ta bom, já estamos indo.
Esperei ouvir os passos do Lucas se afastarem e então me levantei e estendi a mão pra ela. Ela pegou minha mão e eu puxei a mão dela para que ela se levantasse, só que ela acabou indo rápido demais, e nos duas só não caímos no chão porque bati as costas na parede e ela por cima de mim.
Carol: desculpa.
Natalia: que isso, não precisa pedir desculpas.
Ela não saia de “cima” de mim, e eu tava gostando daquilo. Não é por nada, mas a Natalia é muito gostosa. Agente já ficou uma vez, acho que poderia ter uma segunda vez.
Coloquei a mão na sua cintura e uni nossos lábios rapidamente. Agente se beijou. Tinha emoção, mas não era aquela coisa “que paixão” Agente se beijou durante um tempo, depois ela separou o beijo e falou comigo como se nada tivesse acontecido.
Natalia: vamos descer?
Carol: Claro.



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